O mito dos 10% de nosso cérebro

brain

Que o cérebro é principal órgão do corpo humano, não temos a menor dúvida e não falo isso apenas pela sua capacidade de gerenciar nossas percepções, emoções entre outras coisas que foi possibilitada graças a um longo processo evolutivo de milhares e milhares de anos. Mas também pela capacidade de gerenciamento de todas as funções do corpo humano, tudo isso com relativa eficiência. Ele é de fato o órgão que apresenta maior complexidade de compreensão, o que torna algumas de suas funcionalidades não compreendida pela neurociência ainda. Porém isso também não significa dizer que não conhecemos nada sobre o funcionamento do cérebro. Talvez essa seja uma das razões que levam a este órgão a criação de tantos mitos sobre os mecanismos de funcionamentos, apesar da enorme quantidade de evidências que nos dizerem o contrário. Um dos mais recorrentes e sobre nossa capacidade de não usar 100% de nosso cérebro, ou a ideia de que o ser humana não utiliza todo o potencial de seu cérebro.

A crença popular de que usamos só usamos alguns percentuais de nosso poder cerebral muitas vezes é usada para especular uma capacidade extra-sensorial ou novos sentidos para os seres humanos, ou como eu gosto de entender, teríamos poderes dos X-men. De fato, alguns filmes já usaram essa premissa do uso capacidade de nosso cérebro como Lucy (2014) e Renascida do Inferno(2015) que eu classifico com ficção pseudocientíficas, porém divertidos.

Porém a reivindicação de que utilizamos apenas uma parte de nosso cérebro é um mito.Você usa todo o seu cérebro. Os únicos casos em que existem regiões não utilizadas do cérebro são aqueles em que os danos cerebrais ou doença destruiu certas regiões.

As origens do mito

Possivelmente esse mito teve origens no início do século XX a partir dos textos do psicólogo e filósofo William James. Em seu livro, As energias dos homens (1914) ele escreveu entre outras coisas: “estamos fazendo uso de apenas uma pequena parte dos nossos possíveis recursos mentais e físico”. W. James é de fato um notório na psicologia americana, porém ele pode ter sido mal interpretado em seus estudos neurológico e deste então a ideia tem se perpetuado como outras lendas urbanas. Infelizmente, como é muito comum nesse meio pseudocientífico há sempre pessoas “bem intencionadas” que usam esse mito para promover serviço, religiões e até produtos para desbloquear suas habilidades ocultas do seu cérebro [ex: aqui e aqui].

Um fato interessante que é diferente de super poderes é que as vezes experimentamos deficiências de nossas próprias habilidades mentais, tais como a super habilidade de esquecer uma informações ou guardar uma garrafa térmica dentro da geladeira( algo muito recorrente com a pessoa que escreve, pergunte a mãe dele). É claro essas habilidades não são nem um pouco favoráveis, talvez por isso que pessoas com certa frequência sentem que possuem, porém isso não significa necessariamente que o cérebro esteja funcionando abaixo dos 100%. Talvez seja por isso que com certa frequência pessoas sente quem possuem um potencial inexplorado. Há também aquela situação ao qual sentimos ou percebemos que ouvimos vozes, enxergamos coisas ou pressentimos algo o que muitas vezes pode ser atribuído poderes paranormais de acordo com a crença vigente.

Alguns fatos

Mas como sabemos se de fato não usamos só uma parte de nosso cérebro? Bem os neurocientistas apontam uma série de razões pelas quais o qual disponho abaixo.

  • Exames de imagem do cérebro mostram que quase todas as regiões do cérebro estão ativas durante diversas tarefas, mesmo que esta seja rotineira, tal como falar, andar ou ouvir música;
  • SeSe o mito de 10 % fosse verdade, as pessoas que sofrem danos cerebrais como resultado de acidente, provavelmente não notaria qualquer efeito real. De fato, não há uma única área do cérebro que pode ser danificada sem resultar em alguma consequência ;
  • Não faria sentido evolutivo tais cérebros grandes se nós só utilizássemos um pequeno percentual dele;
  • O cérebro usa cerca de 20% da energia do corpo humano. Faria pouco sentido evolutivo para ter uma parcela tão grande de nossos recursos energéticos utilizados por uma quantidade tão pequena do cérebro;
  • Pesquisas do mapeamento do cérebro ainda não encontraram qualquer região do sem uma função especifica. cada área tem sua finalidade. “Vários tipos de exames de imagem do cérebro mostram que nenhuma área do cérebro é completamente silenciosa ou inativa “, escreveu o Dr. Rachel C. Vreeman e Dr. Aaron E. Carroll em um estudo de mitos médicos. “Detalhada sondagem do cérebro não foi capaz de identificar o” não-funcionamento dos “90%”[ver detalhes aqui].

Bem, nesta altura acredito que o leitor  já é capaz de explicar algum dos pontos quando o assunto vier a tona. Quando não pelo menos ser capaz de fazer refletir e pensar um pouco mais sobre o assunto e não simplesmente aceitar alegações magicas e fantasiosa. Há outras mitos sobre o cérebro, mas vamos deixar pra uma próxima oportunidade.

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Referências e leituras

Veryweell : Myth about the brain

Scientific American: Do people only use 10 percent of their brains?

The scientist: Human adult neurogenesis revealed

Brain facts: Myth: brain damage is alwys permanent

Vreeman, RC & Carroll. AE Medical Myths, 2007,33:1288

Herculano-Houzel. The human brain in numbers: A linearly scaled-up primate brain. frontiers in Human Neuroscience, 3(31)-2009.

Hofman MA,et al. Evolution of the human brain:when bigger is better. Frontiers in Neuroanatomy.v8-2015

 

 

 

 

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