As bobagens perigosas da astrologia

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As 12 casas dos cavaleiros dos zodíacos

A terra se formou à aproximadamente 4.5 bilhões de anos e de lá pra cá, muita coisa aconteceu. Mudanças drásticas no clima e na geologia, evolução de seres unicelulares, grandes repteis, a extinção deles e finalmente a “dominação” deste planeta por primatas superinteligentes e habilidosos. Esses primatas, foram capazes de desenvolver fala, escrita o que permitiram propagar e armazenar suas descobertas e conhecimentos. Mesmo que em alguns períodos, como os pergaminhos e artefatos da lendária biblioteca de Alexandria tenham se perdido, conseguimos avançar em muitas descobertas da matemática, medicina, astronomia e política.

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Porém, uma coisa que tem chamado minha atenção, entre tantas outras, em 2016 é a astrologia. Não sei se de fato estou gastando mais tempo em redes sociais do que deveria porém em minhas corriqueiras passagens pelo mundo real o tema tem entrado em pauta também, o que faz muitas vezes eu me levantar/ameaçar ir embora. De fato, eu tendo trabalhado com geociências, física solar e da terra, algumas pessoas por vezes acham engraçado relacionar astronomia com astrologia, mesmo que ambas já se distanciaram deste o renascimento, pois a astrologia nunca ofereceu um corpo pragmático para a causalidade de seus fenômenos.

O que observo de um modo geral é uma propagação de páginas de astrologias, mesmo que em muitas destas tenham um tom de brincadeira e de descrições pessoais o qual o signo já prediz suas características. Porém em meio de tantas brincadeiras o assunto começa a ser discutido com validade por alguns, transformado que antes era uma brincadeira a uma condição de crença.

A crença é um apelo de uma verdade. É uma expressão de fé ou confiança que pode ser manifestada a favor de uma pessoa, num poder, numa ideia ou em uma entidade. Isso por si só é bem diferente de conhecer

Sobre as crenças, já havia escrito antes em Devaneios dos limites pseudocientíficos, mesmo assim é importante ressaltar que não existe nenhuma evidência científica que aponte que a posição dos astros no momento do nascimento seja responsável pelo destino e personalidades da pessoa. Vejamos os casos dos gêmeos, que nascem com o céu com as mesmas características astrológicas ou de crianças que nascem com traços de personalidade semelhantes porém o evento causal (posição astrológica) é completamente distinta.

Recentemente, a revista Skeptical Inquirer publicou um artigo com uma revisão atualizada de um estudo exaustivo de 30 anos atrás, para mostrar que apesar de a astrologia ser desacreditada, para muitos ela ainda parece ter validade. Durante os anos seguintes, foram investigados e revisado mais estudos controlados e disponíveis sobre previsões astrológicas totalizando mais de 30 mil casos em um total de 300000 mil dados a serem analisados, os quais falharam em mostrar alguma correlação com as previsões astrológicas. No entanto, defensores da prática permanecem fies. São livros, aulas e conferências sobre o assunto não baseado em evidências, mas em opiniões.

Mesmo sem o menor crédito científico, a astrologia ainda tem muito destaque. Como Carl Sagan comenta no episódio 3 da série cosmos :

A astrologia parece dar um significado cósmico as rotinas de nossas vidas diárias, alegando nosso desejo de estar ligado ao universo, porém ela sugere um fatalismo perigoso. Se nossas vidas são regidas por um conjunto de astros no céu, por que tentar mudar alguma coisa?

Agora eu pergunto, imaginem uma sociedade onde os departamentos de recursos humanos de empresas levem em considerações o mapa astrológico dos candidatos? O fatalismo antes muito presente na cultura grega, ganharia novas tragédias. Apesar da ideia absurda, ela é REAL! algumas empresas usam isso como critério de desempate entre candidatos como mostrado aqui: [http://migre.me/uKDi2]. Que o critério de algumas empresas podem ser arbitrário e subjetivo, isso ninguém pode negar, porém esse tipo de refinamento acaba servindo para avaliar o quão séria é a empresa que utiliza a lógica astrológica.

Recorrer ao sobrenatural a fim de encontrar respostas, sugestões e conforto não é exclusividade da astrologia, há um leque de pseudociências e crenças no mundo que tentam desempenhar esse papel no mundo. Se antes a astrologia fazia prognósticos meteorológicos, inferiam quando os reis seriam atacados por seus inimigos ou de possíveis traições, hoje ela se restringe a “previsões” das individualidades humanas, porém falhas mas ainda sim presentes no dia a dia. Ainda é muito mais fácil encontrar uma coluna diária de astrologia nos jornais do que uma coluna semanal de astronomia, filosofia ou história, que possivelmente seriam mais relevantes para compreender a humanidade e nossa irrelevância planetária diante do cosmos, algo que de certa forma a astrologia se propõem, mas passa muito longe.

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Referencias e leituras

Uol: Empresas confiam na astrologia para tomar decisões e contratar pessoal

Motherboard.vice : Por que as Pessoas Ainda Acreditam em Astrologia?

carlos Orsi: O livro da astrologia: Um guia para céticos, curiosos e indecisos.

Cosmos: A Personal Voyage (TV series), 1980 – Episódio 03 Harmony of the Worlds.

Skeptical Inquirer: Does astrology need to be true a thirty-year update. Vol 40.4.2016

 

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2 comentários sobre “As bobagens perigosas da astrologia

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