Não falemos de crise, falemos de ciência!

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Total de publicações científica, fonte : Worldmapper

Se as fronteiras entre as nações fossem desenhadas de acordo com sua produção científica, elas seriam semelhantes a figura acima, um tanto estranhas a primeira vista, dada a disparidade entre as dimensões geográficas conhecidas e suas quase insignificante produção científica. Esta imagem, apenas ela, é capaz de mostrar um pouco das complexidades das desigualdades globais na produção e troca de conhecimento científico. É visível que os países da Europa, EUA, Japão e China apareçam destacado no mapa. O Brasil, aparece um pouco tímido no mapa, um pouco menos relevante que a austrália. A tabela abaixo, mostra o número de artigos científicos publicados em 2015.

Capturar
Total das publicações científica por países em 2015.[scimago journal & country ranks]

Estes são números são de certa forma o apresenta o 30 anos da existência do MCT. Deste sua criação, em 1985, este ministério alavancou a produção científica do país e se a 30 anos atrás, as publicações brasileiras representavam 0.4% do total mundial. Hoje elas representam 2.7% como a mostrado na figura(2) abaixo.

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Figura 2. Publicações de brasileiros em científicas em revistas indexadas.

Este gráfico mostra apenas o representativo das publicações indexadas em revistas científicas internacionais. É notório os avanços deste a criação no MCT, porém deste 2007,encontramos “estagnados em número de publicações”. Um outro ponto importante que não pode ser ignorado é a qualidade dessas publicações. Para isso, usamos o número de citações dos artigos e o fator de impacto do total das publicações. a figura 3 ilustra essa evolução nos últimos 30 anos.

producao
Figura 3. Relação entre publicações, citações e fator de impacto das publicações.

Observamos que o impacto das publicações tiveram um aumento de quase 300% enquanto o número de citações 700% nos últimos 30 anos. Ainda está abaixo do que a grande maioria dos pesquisadores gostariam, porém, para um investimento recente em ciência e tecnologia é significativo! Outro dado que corrobora esse crescimento é o número de artigos de revisão publicados .Estes artigos são interessantes pois são escritos em parcearias com a comunidade científica internacional, assim mostrando um pouco da significância da ciência brasileira nos últimos anos. Assim a parceria internacional nas publicações também aumentaram.

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Figura 4. Número de artigos de revisão com colaboração internacional.

Estes números crescentes são encontrados em todas as áreas do conhecimento, inclusive em multidisciplinar, o qual é uma tendência mundial para a pesquisa científica. Na pesquisa interdisciplinar Brasil e china tem grandes destaques, segundo um relatório da elseiver para pesquisas interdisciplinares, o Brasil tem destaque, ficando com 11% das publicações mundiais.

Sem títusslo

Porém, quando observamos olhamos os dados de inovação, ocupamos a posição 70º. Esse índice, avalia um conjunto dos parâmetros, deste a educação e pesquisa(=~7/10), como ambientes de negócio (1.4/10). Ou seja. Nossa pesquisa só não apresenta uma condição melhor, pela falta de investimento, entre eles, a da iniciativa privada.

É notório que temos alguns problemas econômicos no país, gostaria de ter a solução imediata, porém como algum leitor deste blog já notou, este não é um espaço para truísmos, pois se fosse, bem possivelmente todos viveriam melhor, inclusive os mais ricos.

Falando de investimento direto do estado na ciência. Nos últimos anos, o governo federal destinou 1.24% o PIB para o setor. Se hoje o país conseguiu alguns avanços na agricultura, biocombustível, exploração de petróleo, previsão climática, controle de insetos tropicais entre outros, que ainda sim parecem ser pouco, foi graças ao milagre que muitos dos cientistas desse país fazem todos os dias. As vezes, esses avanços parecem pouco noticiados ou pouco notório como avanços científicos.

Recentemente, o IMPA que quase fecha as portas no mês de maio[http://migre.me/wp7Q9]. Sobre o instituto, bem lá entre muitas pesquisas básicas e aplicadas são feitos avanços em modelos matemáticos que dão suporte, por exemplo, a construção de modelos computacionais. Esse mesmo instituto é responsável pelo que talvez seja o maior prêmio científico nacional já recebido, a medalha field, em 2014 por Artur Avila. Este ano, o próprio diretor também foi agraciado com uma premiação, na mesma área (sistema dinâmico). Mas esse são prêmios, apenas medalhas que são importantes). Mas o conhecimento é o que fica para a humanidade e capaz de transformar nossa sociedade e fazer ela rodar melhor.

Para fazer essa roda continuar a gira (É a roda viva), mesmo durante as crises é preciso investir em ciência em tecnologia. E foi essa a receita encontrada por muitos países durante em suas crises do passado.

Na recente crise econômica que abalou o mundo deste final de 2007 aproximadamente, uma das estratégias adotadas pelos EUA para sair da crise foi investir em ciência e tecnologia, isso partiu sim do estado com seu órgão de fomento como NSF(National Science Fundation). A partir daquele ano ouve um acréscimo de aproximadamente 100 bilhões nas atividades de pesquisa. [http://migre.me/ualp3]. Sendo este o maior volume de investimento em pesquisas científicas.

No bloco da união europeia, não houve freio nos investimentos em P&D durante as últimas crises, além da existência de um acorde de investimento de até 3% do PIB em P&D. Mas é claro, esse são os países “desenvolvidos”.

Nas últimas décadas, muitas nações “em desenvolvimento”, especialmente na Ásia, como a China, Taiwan e Singapura realizaram grandes investimentos em engenharia, ciências e também em indústrias de alta tecnologia. A fração correspondente às nações asiáticas do investimento global em pesquisa aumentou de 25% na década passada para 34% em 2011. Isso se traduziu no aumento de produtos tecnologicamente avançados, e no aumento de investimentos em P&D em muitos países. A china empregava 2,05 do PIB em ciências em 2014. O projeto atual é que ele aumente até alcançar 2,5 do PIB, exatamente com estratégia para fugir da crise econômica recente. A coreia do sul é o maio exemplo de como a ciência e educação foram fundamentais para a libertação econômica de um país, creio que na altura do campeonato, não seja mais preciso citar esse exemplo. Atualmente ela investe um pouco mais de 4% do PIB. [http://migre.me/uakSL]. A índia tem um plano de metas de aumentar seu investimento para 2% do PIB até 2017 [http://migre.me/uakU3]. Vladimir Puttin também mostrou em várias campanhas a necessidade de investimentos na área [http://migre.me/ualqw].

No Brasil a coisa funcionou um pouco diferente. Os motivos, bem há vários, mas gosto de citar o analfabetismo científico de grande parte da população, os políticos e governantes destes pais, não fogem a regra. Em meu outro texto, sobre MCTI, já havia exposto algumas dessas questões em Pensamento dispersos de uma futuro esquecido: o ministério da ciência, tecnologia e etc. vale a pena ler.

O ponto em questão é que com o crescente investimento que tivemos até meados de 2012 e posteriormente com a redução destes mesmo a ciência fica comprometida. A formação média de um pesquisador é de aproximadamente 12 anos. Para onde vão esses pesquisadores? O que acontece com os grupos e rede de pesquisas formadas? Para citar um exemplo prático disso. A USP comprou um navio oceanográfico de cerca de 23 milhões, em 2012 e trabalhou apenas até 2013. Após isso o navio ficou parado por problemas de questão financeira na manutenção do navio. Para se ter uma ideia, em um único cruzeiro este navio foi responsável pelo desenvolvimento de 2 pós-doutorados, 5 doutorados e pelo menos 8 mestrados. [http://migre.me/uanYW]. Ainda é pouco, para uma região conhecida como amazônia azul de aproximadamente 4.500000 km2 que podem ser explorados cientificamente e economicamente, até por que alguns anos atrás, não se achava possível explorar petróleo em águas profundas. Bem a pesquisa brasileira mostrou o contrário não?

Se há uma visão de futuro melhor ela necessariamente passará por investimento em educação, ciência e tecnologia, não creio que há algum viés econômico razoável sem que se inclua a ciência. A história já nos mostrou isso e nos mostrará novamente, só temos que usar um pouco de método científico para aprender a não errar sempre, seja proposital ou por ignorância, eu particularmente tenho dúvidas em relação as duas preposições de nossos políticos.

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 Leituras e Referencias

NASSI-CALÒ, L. Países em desenvolvimento liderados pela China ameaçam domínio norte-americano na ciência. SciELO em Perspectiva.

A Review of the UK’s Interdisciplinary research using a citation-based Approach. Elsevier. 2015.

Science: Science is a major plank in China’s new spending plan. 07/03/2016

Helena B. Nader. C,T&I: avanços e obstáculos. Apresentação SBPC. 19/02/2016.

Estadão: Matemático brasileiro ganha grande premio cientifico na frança. 03/06/2016

Folha de S.Paulo : Obama libera verba recorde para ciência. 07/03/2009

Época : “Luiz Davidocich:O ministério da ciência foi demolido“. 13/05/2016

Revista Fapesp : Política cientifica ambiciosa da Índia. Fevereiro 2013
Nature news: Putin promises science boost. 14;03/2012.
Estadão:
Navio de pesquisa da USP se prepara para volta ao mar, após mais de 2 anos parado. 25/04/2016

Encontro da comunidade cientifica com o ministro interino:https://www.youtube.com/watch?v=9aKf_9ZCwsg

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6 comentários sobre “Não falemos de crise, falemos de ciência!

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