Luas e bebês

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A Terra, possui um único satélite natural orbitando com rotação sincronizada. Assim, sempre a mesma face é mostrada para Terra. Nesta, observamos os mesmos mares vulcânicos e crateras de impacto que são consequência direta da colisão de asteroides e ou cometas com a superfície lunar. Tudo isso pode ser observado facilmente a olho nu ou com ajuda de um simples telescópio ótico.

Talvez o fato dela ser facilmente observada (é o segundo astro mais brilhante para a terra) desempenhou papel fundamental para a criação dos diversos mitos nas mais diversas culturas. Para os chineses, a festa da Lua é uma celebração popular para celebrar a colheita de verão. Para os judeus, a Lua simboliza o povo hebreu, sempre em busca de nova morada, mudando de lugar perpetuamente. Para os católicos, há um sincronismo da fase lunar para a determinação do domingo de páscoa (primeiro domingo após a primeira lua cheia após o equinócio de março). A Lua, como símbolo da fecundidade humana, transparece claramente nas tradições dos povos Nórdicos, que celebram os casamentos por ocasião da Lua cheia. Esses simbolismos e tradições humanas antigas de nossos antepassados são incríveis e devem ser preservados pois fazem parte de nossa história como civilização, mesmo não fazendo muito sentido hoje em dia.

Apesar das enormes descobertas científicas, ainda em 2016 é observado um conjunto de crenças relacionadas com as fases lunares. Em um artigo chamado the moon was full and nothing happend foram analisados mais de 100 casos sobre possíveis efeitos lunares na vida humana e concluíram que não havia uma única correlação confiável e significativa com as fases da lua. Entre os casos investigados estão: índice de homicídios, acidentes de trânsito, chamadas à polícia ou corpo de bombeiros, violência doméstica, nascimento de bebés, suicídios, grandes desastres, proporção de pagamento de prêmios em casinos, assassinatos, sequestros, agressões entre jogadores de hóquei, violência em prisões, internamentos psiquiátricos, comportamento agitado de residentes de enfermaria, assaltos, ferimentos a bala, facadas, internamentos em salas de emergência, explosões comportamentais de adultos com deficiências psicológicas, licantropia, vampirismo, alcoolismo, sonambulismo e epilepsia. Aqui, irei destacar apenas o caso nascimento de bebês.

A hipótese diz que as forças gravitacionais da lua influenciam no líquido aminótico da grávida, uma vez que elas são capazes de mover as marés. A hipótese é extremamente furada. A comparação com as forcas de marés é totalmente sem cabimento, uma vez que a dimensão do volume líquido de um rio é diferente de uma grávida. Por essa mesma lógica, deveríamos observar forças de marés em piscinas, bacias e copos de cerveja. Mas isso não ocorre pois em qualquer ponto desse volume de água a distância para a lua é equidistantes, assim uma força igual em todo volume líquido é aplicada, portanto sendo incapaz de causar uma deformação diferencial. É claro, sem contar que a força desprezível, para se ter uma ideia, os médicos ou as pessoas próximas a grávida tem mais ação gravitacional do que a Lua.

A formulação teórica já nos dar alicerce para refutar esta hipótese, mas o que os dados dizem. Com sorte, ouvir um excelente podcast fronteiras da ciência UFRGS, a qual citaram um artigo onde mostram a correlação de nascimentos e fases da lua. O estudo intitulado “Marés, fases da lua e bebês” foi realizado pelo professor Fernando Lang da Silveira do instituto de física da UFRGS e apresenta a correlação entre nascimento de bebês e fase da lua para 93 mil casos entre os anos de 1967 e 1983.

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figura 1 -Distribuição de nascimentos com fase da lua.

Como podemos observar na figura 1, não há qualquer distribuição relevante que indique que há mais nascimento ou menos nascimento em uma determinada fase da lua. Ou seja, nem a relação da causa e efeito é coerente e nem mesmo a crença que mais crianças nascem durante a lua cheia é verdadeira, por mais poético que possa ser. Então, quando esse assunto surgir no meio das conversas, você já sabe que não faz sentido, porém todos somos livres para acreditar no que quisermos, mas isso não indica que podemos negar a realidade. Eu por exemplo, poderia negar a gravidade, mas isso não significaria que eu ela não puxaria meu corpo para baixo ao pular de um prédio :). Até o próximo texto pessoas.

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Referencias e leituras

ASTROPT: Partos na lua cheia

Artigos:

I. W. Kelly, James Rotton, and Roger Culver, The Moon Was Full and Nothing Happened, Skeptical Inquirer Volume 10.2, Winter 1985-86 *

F. L. da Silveira, Marés, fases principais da Lua e bebês. Publicado no Caderno Brasileiro de Ensino de Física, 20(1): 10-29, 2003.

Podcast Fronteiras da Ciência : Ciência e Pseudociência

*Revista não indexada

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